A Era de Ouro do Terror: Da Maratona Invocação do Mal ao Pesadelo Interativo de Hellraiser
Se você é fã de terror, sabe que a gente vive numa busca constante pela próxima dose de adrenalina pura. O dia 4 de setembro tá logo aí e vai marcar a estreia de “Invocação do Mal 4: O Último Ritual” nos cinemas brasileiros. É mais um capítulo insano da vida dos investigadores paranormais Ed e Lorraine Warren. Só que não dá pra simplesmente cair de paraquedas no quarto filme sem entender o tamanho do buraco. A franquia virou um monstro gigantesco, e pra você se preparar de verdade, montamos um resumão com tudo que você precisa maratonar antes de encarar esse novo ritual.
A cronologia dessa galera é meio bagunçada, mas cada peça tem seu lugar. O ponto de partida de tudo, claro, é Invocação do Mal (2013). Inspirado em casos que os Warren juram ser reais, o filme joga a gente lá em 1971. Uma família se muda para uma casa nova e, bom, o de sempre acontece: o sobrenatural começa a destruir o psicológico de todo mundo. O pai, a mãe e as cinco filhas acabam chamando o casal de demonologistas. Vera Farmiga e Patrick Wilson entregam tudo como Lorraine e Ed, encabeçando um elenco que tem Ron Livingston, Lili Taylor, Shanley Caswell, Hayley McFarland, Joey King, Mackenzie Foy, Kyla Deaver, Sterling Jerins, Shannon Kook, John Brotherton e Joseph Bishara fechando a conta.
Dando um pulinho no tempo, temos Annabelle (2014), que se passa em 1967. A premissa é básica: um cara acha que dar uma boneca bizarra de presente pra futura esposa é uma baita ideia romântica. Ela adora, até que um culto satânico invade a casa deles, derrama sangue no brinquedo e a boneca vira o pior pesadelo do casal. O elenco traz Annabelle Wallis, Ward Horton, Alfre Woodard, Eric Ladin, Kerry O’Malley, Tony Amendola, Brian Howe, Ivar Brogger, Gabriel Bateman, Michelle Romano e Camden Singer.
Voltando pros casos principais, Invocação do Mal 2 (2016) manda os Warren direto pra Enfield, na Inglaterra. Uma mãe solo e seus quatro filhos tão sendo escorraçados por espíritos. O clima é opressivo demais. Além dos protagonistas, Frances O’Connor, Madison Wolfe e o bizarro Javier Botet (como o Homem Torto) tão no elenco, junto com Simon McBurney, Franka Potente, Steve Coulter, Lauren Esposito, Patrick Mcauley, Shannon Kook, Sterling Jerins, Bonnie Aarons, Abhi Sinha, Bob Adrian e Joseph Bishara.
Curiosamente, o segundo spin-off da boneca capeta, Annabelle 2: A Criação do Mal (2017), é na verdade um prólogo ambientado em 1955. Um artesão e sua esposa, traumatizados pela perda da filha, resolvem abrigar umas meninas de um orfanato e uma freira. O problema é que a Annabelle foi criada por ele. Stephanie Sigman, Miranda Otto e Lulu Wilson seguram a bronca nesse aqui.
Aí o universo expandiu de vez com A Freira (2018). Lá em 1950, num convento na Romênia, uma freira comete suicídio. O Vaticano entra em pânico e manda um padre atormentado e uma noviça investigarem. Eles batem de frente com uma força demoníaca pesadíssima. Taissa Farmiga e Demian Bichir estrelam o longa ao lado de Bonnie Aarons (a própria Freira), Jonas Bloquet, Ingrid Bisu, Charlotte Hope, Sandra Teles, August Maturo, Michael Smiley, David Horovitch, Lili Bordan, Jared Morgan, Mark Steger, Izzie Coffey e as aparições clássicas de Vera Farmiga e Patrick Wilson.
Saindo um pouco dessa curva principal, temos A Maldição da Chorona (2019), ambientado na Los Angeles dos anos 70. Uma assistente social viúva começa a notar semelhanças entre o caso que tá investigando e a lenda da Chorona, uma entidade que afogou os próprios filhos num ataque de ciúmes e agora rouba as crianças dos outros. O filme tá espalhado pelo HBO Max, Apple TV e Google Play, e tem Linda Cardellini, Roman Christou, Raymond Cruz, Patricia Velasquez, Sean Patrick Thomas, Tony Amendola, Aiden Lewandowski, Paul Rodriguez, John Marshall Jones, Madeleine McGraw, Sophia Santi e Andrew Tinpo Lee no elenco.
Logo na sequência, lançaram Annabelle 3: De Volta para Casa (2019). Se passando em 1972, um ano após o primeiro Invocação, o filme mostra os Warren saindo pro fim de semana e deixando a filha Judy com a babá. Uma amiga “sem noção” da babá entra na Sala de Artefatos, mexe em tudo e solta a Annabelle e outros espíritos. A Mckenna Grace brilha como a Judy, acompanhada de Madison Iseman, Katie Sarife, Michael Cimino, Steve Coulter, Luca Luhan, Stephen Blackehart, Eddie J. Fernandez, e o casal Farmiga e Wilson.
Avançando pra 1981, chega Invocação do Mal 3: A Ordem do Demônio (2021). Aqui o negócio vai pro tribunal. Arne Cheyenne Johnson comete um homicídio e alega que o diabo o obrigou a fazer aquilo. Os Warren entram na jogada pra desvendar essa loucura. O elenco de peso inclui Ruairi O’Connor, Sara Catherine Hook, Julian Hilliard, John Noble, Shannon Kook, Ronnie Gene Blevins, Keith Arthur Bolden, Steve Coulter, Vince Pisani, Ingrid Bisu, Andrea Andrade, Ashley LeConte Campbell, Sterling Jerins, Paul Wilson, Charlene Amoia, Mitchell Hoog, Lindsay Ayliffe, Regina Ting Chen e Robert Walker Branchaud.
Por fim, pra fechar essa imersão, A Freira 2 (2023) mostra que o mal não morre fácil. Anos depois do primeiro filme, um padre é assassinado, indicando que a entidade se espalhou. Irmã Irene (Taissa Farmiga) precisa encarar Valak de novo. O elenco gigantesco traz Jonas Bloquet, Storm Reid, Anna Popplewell, Bonnie Aarons, Katelyn Rose Downey, Suzanne Bertish, Léontine d’Oncieu, Peter Hudson, Gaël Raës, Anouk Darwin Homewood, Tamar Baruch, Natalia Safran, Maxime Elias-Menet, Pascal Aubert, Margot Morris, Alexandra Gentil, Renata Palminiello, Sarah Pachoud, David Horovitch, Paul Spera, Grégory Di Meglio, Patrick Wilson e Vera Farmiga.
Hellraiser: Revival — O Prazer e a Dor na Palma da Mão
Beleza, você maratonou os filmes e o seu nível de tolerância pro bizarro tá lá em cima. Só que, hoje em dia, só assistir muitas vezes não basta. A gente gosta de interagir com o caos. E é exatamente por essa brecha que o clássico de Clive Barker tá invadindo os videogames pra traumatizar uma nova geração, deixando de lado o susto fácil pra explorar a linha fininha e perturbadora entre dor, prazer e sofrimento.
Com o novo survival horror de ação, Clive Barker’s Hellraiser: Revival, publicado pela Saber Interactive e desenvolvido na Unreal Engine 5, a galera da Mad Head Games quer trazer algo autêntico. Eles contam com o envolvimento do próprio autor e a volta triunfal do Doug Bradley como o icônico Pinhead. Batemos um papo sobre isso com o Vid Rajin, Diretor de Jogo Associado, que tá no projeto desde os rascunhos. Segundo o Vid, a equipe (que varia entre 70 a 100 pessoas com os parceiros) suou a camisa por quatro anos pra fazer o jogo acontecer.
A proposta deles foge dos slashers genéricos. O jogo tem entre 7 e 10 horas de duração, o que é um baita acerto. O Vid mandou a real: jogo de terror não pode ser muito longo, senão a tensão vai pro ralo e cansa. O combate gira em torno de uma trindade muito doida: armas corpo a corpo, armas de fogo e poderes ligados às famosas configurações (as caixas macabras). Mas não dá pra sair atirando feito louco. A escassez de recursos e o desgaste das armas te jogam na essência do survival horror.
A furtividade rola solta e é opcional na maior parte do tempo, mas às vezes você tropeça num Cenobita e a única opção é usar o stealth pra não virar picadinho. As interações com esses seres foram pensadas pra ser significativas, não apenas mais um inimigo comum na tela.
E a questão do tom explícito da obra original? Hellraiser é conhecido por imagens grotescas. Como eles equilibram isso sem deixar o jogador dessensibilizado? A resposta é ritmo e propósito. A violência e a sexualidade no universo do Barker nunca foram meramente apelativas; elas são filosóficas e viscerais. No jogo, eles intercalam a porradaria com momentos furtivos e quebra-cabeças no cenário. Isso dá tempo pro cérebro processar a loucura. Claro que, pras pessoas ditas “normais”, algumas partes vão ser absurdamente pesadas, mas a ideia sempre foi ser fiel à obra.
No fim das contas, a nossa relação com o terror continua sendo esse flerte curioso com o limite do suportável. Seja acompanhando os Warren nos cinemas ou correndo pela vida num universo bizarro desenhado na Unreal Engine 5, a gente adora dar uma espiada no escuro.